terça-feira, 27 de agosto de 2013
FÜR ELISE
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
ATO #4

Pesada de tempo,
com ânsia de mágoa,
o peito piando.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
QUERENÇAS
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Um "Q" de Kahlo
quarta-feira, 27 de julho de 2011
ATO #3

quarta-feira, 6 de julho de 2011
ATO #2 (APÊNDICE - ÓRGÃO INÚTIL)
Florbela há tempos não sabe o que é cor. Vê o mundo cinza.
Deita-se e aguarda, desesperançosa, o amado vir se deitar.
Ele chega. Eles discutem a relação no mais alto grau de abstração.
Têm uma briga homérico-ontológica.
E viram-se cada um para um lado.
Florbela resolve ler. E se obriga a concordar com Rubem Fonseca:
"Mas aquela conversa foi o início do fim. Na cama não se fala de filosofia".
segunda-feira, 20 de junho de 2011
TENDÊNCIA OCULTA

E só me resta a imagem
de um tufo sórdido.
Mesmo que a consciência
trate de repelir a verdade,
o passado continua a assediar
minha mente.
Por quê, civilização, tu queres
que eu use da tua dinâmica?
Salve Eros ! Salve os pagãos!
Salve as mentes involuídas,
que lutavam unicamente por
obter prazer e afastar-se da dor...
E tu, realidade, deixa-me em paz.
Só por hoje.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Madalena

terça-feira, 26 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
CREDO MISTO

Sylvia Leão
Além de Deus, creio no Homem
também poderoso-
não criador do céu e da terra,
mas de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho
E em todos os Filhos dos Homens
Que não nasceram da Virgem Maria,
Mas de todas as Mulheres e que
Também padecem sob os muitos Pilatos
e diariamente são crucificados,
Mortos e sepultados no dia-a-dia que
Os consome e aniquila.
Creio naqueles que diariamente descem à mansão
Dos mortos- às fábricas, às filas dos desempregados,
São os mortos de fome, os mortos de esperança,
Os velhos abandonados, a mendicância
infante, os doentes que sequer se tornam pacientes,
os adultos que não sabem escrever o próprio nome.
Não estão eles sentados à direita do Pai, mas estão
Em pé, falidos, enfraquecidos, desdenhados
À espera de uma chance cedida
Pelos pais do Poder.
Creio no Espírito Santo- oh!, como creio!,
E em todos os outros espíritos-
racionais, dedutivos, indutivos,
intuitivos, dialéticos!
Creio na Santa Igreja Católica
E em todas as outras igrejas, em
todas as outras pedras que erguem a
Comunidade humana, humanizada.
Creio na comunhão dos santos- Agostinho,
Tomás, Terezas, Francisco e na
De todos os hereges- Sócrates, Bruno,Galileu
Espinosa, e, pelo jeito, eu!
Creio na remissão dos pecados, sim,
Daqueles que pecam contra uma nação inteira,
Contra todos nós, os seres vivos.
Creio na ressurreição da carne
Como libertação do corpo ante a fome,
a injustiça, a violência, a opressão.
Creio na Vida Eterna sem não antes crer,
na Vida Terrena, no hic et nunc
do Paraiso que há no
AMEM-se.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Embriaguez

do meu mundo...
Sem uma gota de complacência,
me entrego aos desvarios.
Finjo que fujo dessa
concupiscência,
astuciosa.
Mas tudo não passa
de um devaneio,
e a consternação se
faz presente.
E se vai o doce sabor
de um dia que já não
é mais.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Cidade Velha

Entorna-me entre os cantos vazios desta cidade,
nos sulcos,
nas frestas,
nas velhas lamparinas.
Faz-me passarela de putas,
de ordens marginais,
de cães a ladrar para o nada.
Na umidade,
na secura dos lábios cansados,
nos dedos amarelados,
na nicotina,
nas almas dos decadentes...
Coloca-me poesia entre os dentes
E um adocicado sonho na língua.
Paulo Antônio
terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Tomava conta do amor depois do sexo, naquele
começo de manhã. Tomava conta sozinha,
ele já voltara a dormir, suado, depois do
exaustivo exercício do gozo.
As suas unhas demonstravam o limite do
seu sentimento. Suas unhas amareladas
de nicotina e amor. Seu transtorno era amá-lo.
Havia no móvel, ao lado da cama, um prato
vazio e sujo, sinal de refeição preguiçosa
feita na cama, na noite anterior. Apanhou a
faca que estava jogada ao lado do prato
e contemplou aquele objeto sem vida,
que refletia, sem muita nitidez, o seu rosto.
O amor inchava o seu espírito, não era
capaz de controlar os movimentos de sua mão direita,
que golpeava o corpo adormecido do seu amado. Quanto amor!
O amor dele paralisava-se ali. Morreu.
Ela parou, olhou para si e golpeou o seu ventre. Finalmente
o seu espírito se libertava daquela forma passional. Seu amor
manchava o lençol da cama com um encarnado fluido. Já não
o amava. Deixara de existir ali, livrara-se da existência, livrara-se.
Sim, pois só se é livre, de fato, quando não mais se existe.
Seu transtorno a conduzira para a libertação...
Quantas facas haverá nesse mundo para libertá-lo?
terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Com suas nuvens arroxeadas,
Parou...
Os velhinhos de mãos dadas,
A grávida,
O mendigo na calçada,
A coruja taciturna,
Também.
Levemente
Tudo se ergueu.
Em suspenso
Tudo flutuava
E, como num sonho,
Que se desfaz e se refaz lubricamente,
Eu andava ao teu lado Sem me notar ali.
Boiando na existência,
Sem pisar no chão
Eram seus lábios que se abriam
E a chuva de lírios que brotava de sua boca
E os lírios correndo ao redor de mim
E me tomando
E me chamando pra brincar de roda
E me enfeitando com seus aromas
E me dizendo deles...
Eu,
Logo eu,
Tão de ninguém,
Tão sem ninguém,
Agora brinco com lírios,
Agora sou de lírios
Delírios...
*Imagem: quadro A noite estrelada (1889), de Vincent Van Gogh
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tarde alaranjada

Não vi os cacos se partirem
Entre esses dias vazios
Cheios de espaço,
De transbordante quietude.
Seriam os últimos?
E o seu sorriso se abre
Com o vento desta tarde alaranjada,
Coberta de solidão,
Coberta de estalos de lembranças.
Somos jovens já velhos,
Espantados com a pesada liberdade,
Com o sossegar dos que não pensam,
Com o bailar das folhas caídas,
Com o amor que ainda nos comove,
Quando, nesta tarde alaranjada,
Eu vejo o seu sorriso
E me sinto morto, em paz.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Cortejo

Olhos secos
Das carolas que descem
O cortejo fúnebre
Do filho bastardo do seu Menelau
Não sei como posso viver assim
Pensando naquelas bocetas mal-cheirosas
Olhando esse cortejo ignóbil
Sem um pingo de pena do seu Menelau
E com os olhos secos
* Imagem: detalhe do olho de São João,
do quadro A descida da cruz, de Roger van der Weyden.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Epifania III

O FRUTO DO GOZO
DO MACHO E DA FÊMEA.
A NATUREZA NÃO TEM,
DE MANEIRA ALGUMA,
A PROCRIAÇÃO COMO FINALIDADE.
O MUNDO NÃO CARECE DE
MAIS UM SER PENSANTE.
MAS, MESMO ASSIM,
SE CRIA AFETO
PELO FETO.
E DEPOIS QUE APRENDEMOS
A ANDAR E NOS ALIMENTAR SOZINHOS,
DEIXAMOS DE RECONHECER
OS AUTORES DE NOSSOS DIAS.
UMA SERENIDADE INTENSA FARIA BEM,
MAS A NÁUSEA É MEU ESTADO NORMAL.
AO INVÉS DA TERNURA, UM TÉDIO PROFUNDO.
O TÉDIO DA EXISTÊNCIA,
A ANGÚSTIA DE SABER QUE SOU...
NADA. EXISTIDA.
Luiza Pontes







